Vai trabalhar, vagabundo

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Especial de fim de ano – Belo

Chico Barney

Caso este fosse um país justo, o cantor Belo já teria há alguns anos um especial de fim de ano na nossa maior rede de televisão. Ou, pelo menos, em alguma rede de televisão.

Afinal, é o maior intérprete romântico em atividade, com uma carreira longeva e consistente – não saiu do topo das paradas de sucesso nem quando amargou um tempo em cana.

Mas este é mais um momento em que a internet se aproveita dos moles dados pelos grandes conglomerados da mídia. Senhoras e senhores, tenho a satisfação de anunciar o Especial de fim de ano do Belo, com transmissão exclusiva pelo Vai trabalhar, vagabundo.

Não dá pra dizer que o fã de pagode não tem memória. Belo está lançando um DVD para celebrar os 10 anos do lançamento de seu primeiro trabalho solo, o maravilhoso Desafio. O problema é que já se vão quase 12 anos desde o lançamento do mesmo, mas tudo bem, melhor ter boa memória do que ser bom em matemática.

Quem realmente está prestes a celebrar 10 anos de existência é este distinto weblog. Em fevereiro, pra ser mais exato. E daremos o pontapé inicial nessa comemoração gostosa repassando, música a música, o primeiro (e até hoje melhor) trabalho solo de Marcelo Pires Vieira, o inconfundível Belo.

Vamos, então, navegar juntos pelas 16 faixas desse clássico do cancioneiro popular.

#01 – Procura-se um amor

Poesia pura. Meu trecho preferido é quando Belo revela procurar um amor “que saiba esculpir o meu modo de amar”. É sobre um homem desenganado que resolveu escrever uma carta de intenções para futuras pretendentes. Essa letra foi uma das últimas a bombar nos épicos /quit cheios de indiretas do mIRC.

#02 – Desafio

Não foi por acaso que Belo escolheu esse petardo erótico de Delcio Luiz para sua estreia como artista solo. É a história de um cara que quer fazer as pazes com a mulher, sendo que eles estão provavelmente pelados o tempo inteiro. Trechos destacados: “Senta aqui no meu colo / dessa vez eu imploro” e “Sou um bicho no cio / tão carente na cama”. Fundamental conhecer.

#03 – Eternamente

Carrega sérias influências das festinhas americanas que varreram a juventude brasileira no final dos anos 80 e começo dos 90. E isso explica essa belíssima música que cairia muito bem no repertório de Bon Jovi da lavoura de Bed of Roses, ou Aerosmith de Crying. É um bom jumping point para não iniciados.

#04 – Tua boca

“Mel… tua boca tem um mel…” Um dos sucessos que inauguraram o século 21 tem o privilégio de estar nesse disco. Canção de amor arrasa-quarteirão, serviu como trilha sonora para uma das açucaradas novelas das seis que Walcyr Carrasco fazia tão bem na época. O casal Catarina e Petruchio caiu no gosto popular junto com essa inesquecível toada.

#05 – Ser feliz de novo

Ainda sucesso nos melhores pagodes do Brasil, essa é a primeira música com um mood mais positivo no disco. Não só a letra é prafrentex (eu sofri demais / mas aprendi; de nós dois / você foi quem perdeu), mas também a levada é suingada como nos melhores momentos de Bebeto e Gerson King Combo.

#06 – Voar com você

Se a Disney contratasse brasileiros para fazer a trilha sonora original de seus desenhos animados, Voar com você estaria no topo da lista. Belo se coloca no papel clássico de uma Princesa Disney, sonhando flanar pelos céus de um reino distante com o amor de sua vida. É uma cativante visão.

#07 – Aeroporto

Está tudo conectado. Depois de uma música mais “viajandona”, Belo traz o ouvinte de volta para a vida real. Os encontros e desencontros de um casal no aeroporto são contados com charme e elegância nessa canção. E mostra que cada faixa do disco foi milimetricamente pensada para contar uma história maior, sobre sonhos e realizações amorosas.

#08 – Sempre te amar

Falando em sonhos, aqui temos a idealização romântica do amor eterno. Mais uma vez, a temática aérea entra em cena (e o meu coração vai voar na emoção / se você disser sim).

#09 – Um dia, um adeus

Uma das mais belas músicas do cartel do Belo, até hoje difícil de superar. Um conto nostálgico sobre a partida de um grande amor, com o protagonista percebendo o quanto errou e procurando identificar quais seriam as maneiras de fazer um novo começo. Uma epopeia sobre amor, dor e morte.

#10 – Nuvem

Outro dos raros momentos mais animados do disco. Um pagode alto astral em que Belo narra a conversa que teve com uma nuvem. Ela avisava que ia chover gotas de saudade. Ao passo que ele conclui “imagine você / eu conversando com a nuvem / é loucura”. E a história segue por mais algumas estrofes, sempre na completa ausência de sentido.

#11 – Acasalamento

Tenho uma teoria sobre essa música. Ela é sobre a TPM da namorada do Belo: ‘e do meu amor desconfia / quando a sábia natureza / traz pro seu corpo aqueles dias’. E por aí vai. É uma das minhas músicas preferidas.

#12 – Quem é você

A melhor introdução instrumental de toda a história do pagode. Que não tem muito a ver com o resto da música, mas dá um clima legal. É a música mais criativa do disco, com andamentos esquisitos, violinos e castanholas. Quer dizer, acho que ouvi umas castanholas. Recomendo demais.

#13 – Não deu em nada

Essa aqui é uma pepita. Impensável ver o romântico Belo entoando essa letra niilista e apocaliptica: ‘nosso amor não deu em nada / deixa pra lá / quero esquecer você’. Mas sem raiva nenhuma, sem constrangimento. Vida que segue, com barulhinhos legais de teclado e tudo.

#14 – Meu recado

Seria esse um disco temático sobre o amor na ponte aérea? O recado da música é “joga essa passagem fora”. Apesar de ser o primeiro disco do Belo, ele era um artista consagrado, com 3 discos incríveis no Soweto – sendo 2 extremamente bem sucedidos. Natural que as letras refletissem o cotidiano do artista que muito viaja e sofre de amores por isso.

#15 – Só te querer

O coralzinho no começo dessa é matador. Essa letra também deu muito certo na época do mIRC e até hoje é louvada via scraps do Orkut. A sinceridade amorosa das canções do Belo fazem sentido para qualquer ser vivente, o que explica o irreparável sucesso que esse artista vem experimentando na última década e meia.

#16 – Quem será

Gosto de acreditar que a voz no começo da música é da Viviane Araújo, namorada do Belo na época. A faixa começa com uma treta por telefone entre um casal de namorados e a música é basicamente o cara explicando porque está indignado com ela. É uma história bem vida real, vale ouvir.

E com isso encerramos nosso Vai trabalhar, vagabundo apresenta Belo – Especial de Fim de Ano. Mas foi apenas o início da celebração de 10 anos deste sítio.

Tenhamos todos um feliz Natal e um 2012 simplesmente jubiloso.

Coleção Indiferença

Chico Barney

Tenho um outro endereço no Interbarney e resolvi usá-lo para um novo projeto.

Chama-se “Coleção Indiferença”, uma resposta à “Coleção Aplauso”. É onde demonstro publicamente meu apreço por figuras menores da mitologia popular.

Acessem: http://chicobarney.interbarney.com/

Claro que isso não significa que este blog acabou. Mas qualquer coisa me liguem.

abs

Outro duelo (Sheila Mello x Scheila Carvalho)

Chico Barney

Estamos de volta com mais um episódio do “Duelo de Nudez no Google Images”.

Fiquei muito sentido com a eliminação do Cumpadre Washington em A Fazenda 4. Apesar dele ter falado muita besteira, é um senhor que merece a consideração do povo brasileiro.

Assim sendo, a edição de hoje da nossa disputa é uma homenagem quase póstuma ao jovem senhor. A Batalha das S(c)heilas.

Scheila Carvalho foi a segunda Morena do Tchan. Ficou durante muito tempo na banda, até a formação mais popular acabar. Posou pelada mais vezes que um ser humano possa acompanhar. Atualmente, é uma coadjuvante do humorístico dominical “Escolinha do Gugu”.

Sheila Mello foi a segunda Loira do Tchan. Ficou na banda durante 6 anos, até a formação mais popular acabar. Posou pelada mais vezes que um ser humano possa acompanhar. Participou de A Fazenda, casou com Xuxa Scherer e acho que integra o elenco da Record.

Vamos à peleja!

Sheila Mello – Página 3

Scheila Carvalho – Página 5

Parabéns, Sheila Mello. Mesmo com menos tempo de carreira, bateu Scheila Carvalho com duas páginas de vantagem.

Coincidentemente, a nudez mais popular de ambas configura em capas de revistas masculinas. Continuem ligados nos próximos episódios.

AudioBLOG #0001

Chico Barney

AudioBLOG – Chico Barney lê posts antigos by chicobarney

Depois do sucesso dos audiobooks, chegou a hora e a vez dos audioblogs. Acompanhe Chico Barney interpretando com muita emoção e alguma pujança um post antigo do Vai trabalhar, vagabundo.

Um duelo (Kelly Key x Mirella Santos)

Chico Barney

Sejam todos muito bem vindos ao nosso novo segmento chamado “Duelo da Nudez no Google Images”.

O regulamento é simples: escolho duas moças que já tenham aparecido nuas em alguma mídia e faço uma busca com o nome delas no Google Images. Ganha aquela cujas fotos nua aparecer antes.

Estamos considerando 3 quesitos como nudez: mamilo à mostra (transparências não serão computadas), retaguarda descoberta e a dita cuja em si.

Preenchendo qualquer 1 dessas categorias já garante o fator nudez válido para a disputa.

Para a estreia, temos um duelo interessante: duas ex-mulheres do cantor Latino.

Kelly Key começou a carreira como cantora pop de viés sexual. Depois teve uma guinada para o público infantil e agora anima bailes gays ao redor do país.

Mirella Santos começou como dançarina do Faustão. Em seguida foi um dos destaques do programa A Fazenda e hoje em dia faz reportagens investigativas para o TV Fama.

Vamos à peleja!

Kelly Key – Página 6

Mirella Santos – Página 5

Parabéns para Mirella Santos, que ganhou da Kelly Key por uma página de vantagem.

Continue ligado para descobrir quais serão os próximos embates.

Uma viagem (Nova Iorque, 11/09/2001)

Chico Barney


Justiça seja feita, 11/09 foi o marco zero da internet como conhecemos hoje. As montagens com o Tourist Guy foram fundamentais para começar a tirar a sacanagem online da marginalidade.

Do Ratinho ao Fantástico, todo mundo quis desmascarar essa história. Muito antes do Tadeu Schmidt e seu Detetive Virtual, muito antes do “Top 10 da Internet” dos programas de auditório.

As aventuras de Tourist Guy ficaram como símbolo de uma época mais romântica, quando o 4chan ainda não havia monopolizado tudo aquilo que o ser humano tem de graciosamente pior.

Uma luta (Roger Gracie x King Mo)

Chico Barney

Com diferentes níveis de envolvimento, vivo o universo do jiu jitsu com alguma intensidade há quase 15 anos. Já é quase metade da minha vida.

Nunca conheci um lutador como Roger Gracie. Foi um dos primeiros caras com quem treinei na vida, quando ele ainda era faixa roxa e passava um tempo com seu tio Crólin em Florianópolis.

Em um ambiente de competição, ele cansou de provar que é o maioral.

A derrota para King Mo, do jeito como foi, é para repensar a carreira no MMA. Até aqui, ele havia mostrado uma finesse rara para aplicar o jiu jitsu em um ambiente hostil à técnica de chão. Agora, fica claro que precisa ter mais segurança em outras habilidades para seguir em frente neste “trabalho noturno”.

Mas o nocaute em nada mancha a história deste jovem guerreiro que honra como ninguém o legado da família Gracie. Como o próprio jiu jitsu sempre pregou, é na adversidade que crescemos.

Outra música (In the Colors)

Chico Barney

Não acho que o Ben Harper seja um gênio ou algo assim. Mas é, sem dúvida, um cara com um senso estético bastante apurado. Mesmo repetindo temas ou falando bosta, construiu um trabalho consistente como poucos nos últimos 15 anos.

O disco “Lifeline” não é exatamente um exemplo de exuberância. Tanto que foi o último antes de romper com a excelente banda de apoio The Innocent Criminals.

Mas tem uma canção em especial que considero um dos seus maiores acertos. E uma escolha formidável para um dia como hoje.

Esperança e algum otimismo, junto de um refrão fácil e uma melodia gostosa. Não precisamos muito mais do que isso.

Uma canção (Dois no ar)

Chico Barney

Paulo Miklos é um dos melhores autores da nossa música. “Dois no ar” esteve na trilha sonora da novela das sete “Bang Bang”, na qual ele também atuava.

Era formidável vê-lo fazendo uma dupla de travestis com outro talentoso poliatleta, o saudoso Evandro Mesquita.

Era a música-tema da ainda mono-ene Alinne Moraes com Guilherme Berenguer, ex-Vagabanda.

A novela fez tanto sucesso que aposentou de vez Mário Prata na televisão, antes mesmo de chegar ao fim. A reta final da história foi escrita pelo sempre mítico Carlos Lombardi, que trouxe o peito desnudo do Marcos Pasquim de carona.

A letra de “Dois no ar” é de uma delicadeza impensável para quem só conhece a obra do Miklos via Titãs.

E é provavelmente a música dele que tem mais belos clipes criados por fãs no Youtube, como os senhores podem prestigiar em mais essa versão.

Conheça os discos do Paulo Miklos:

- Self-titled http://cliquemusic.uol.com.br/discos/ver/paulo-miklos/paulo-miklos

- Vou ser feliz e já volto http://cliquemusic.uol.com.br/discos/ver/vou-ser-feliz-e-ja-volto

A lenda voltou

Chico Barney

João Kléber tem tudo para de tornar o maior nome da nossa tv. Impossível não adorar esse ano de Nosso Senhor 2011.

Pra quem não lembra, João é descendente direto do Chacrinha. Chegou a apresentar o programa do Velho Guerreiro quando este veio a falecer. Durou uma semana.

Foi também um dos primeiros humoristas nacionais a imitar o Weekend Update – pratica tida como “novidade” nestes conturbados dias do século 21. Era a maravilha cósmica do Ri-retrospectiva, trazendo os acontecimentos do ano sob o olhar dinâmico e virtuoso do nosso herói. O programa foi cancelado junto com o governo de seu compadre Caçador de Marajás.

Os anos 90 não foram saudáveis para ninguém. Mas João Kleber fez bem mais que 27 anos, e chegou aos anos 2000 como lorde da sucessora da TV Manchete – nossa prezada RedeTv!.

E foi assim que nosso príncipe vingador fundou a nova tv brasileira. Os programas Eu Vi Na TV e Tarde Quente são as pedras fundamentais do que o entretenimento nacional nunca chegou a ser.

João Kleber é um homem do showbiz. Um pensador. E, como Caetano e Gil nos anos 60, precisou exilar-se fora do país para fugir da mediocridade de um mundo que jurou divertir, mas infelizmente não conseguia entende-ló.

A Fazenda não é mais uma chance para João Kleber. É mais uma chance para o publico abraçar uma nova fase de bonança e criatividade.